Don Quixote de Matta – Instituto Cervantes – 17/07/2009

Alucinações sobre o Quixote

Instituto Cervantes continua com belas exposições apesar do pequeno espaço. A bola da vez é uma mostra de quadros cuja inspiração é o livro Dom Quixote de La Mancha.

“Se você desenha coisas a partir da memória, sempre perde algo. Mas se vê algo, leva a ele todas as suas recordações.” O artista chileno Roberto da Matta se propôs criar “alucinações”, “vendo coisas em pontos e elaborando imagens que sugerem”; tudo isso a partir da obra de Miguel de Cervantes. E conseguiu.

À entrada, do lado esquerdo, há duas filas de quadros. Na fileira de cima, há quinze serigrafias feitas em papel Kraft. Certamente impressionantes, é difícil saber até que ponto são abstratas, pois, dentro dos traços confusos fica simples definir os semblantes dos personagens. Dom Quixote, Rocinante, as prostitutas-princesas, etc. São como fotos, reveladas dentro da cabeça do desenhista.

Na fileira de baixo, quinze litografias com cores muito mais vivas que as de cima. São quadrinhos de pequenas histórias extraídas de Cervantes. Uma toada por vezes solitária, por vezes sexual, incrivelmente atraente, mesmo que na grande parte das vezes seja difícil reconhecer as formas desenhadas.

Do outro lado do corredor, à direita de quem entra no Instituto Cervantes, as mesmas linhas e cores dos quadros da fileira de baixo da esquerda, só que mais aproximadas. Em vez de nove quadrinhos em cada tela, três, com detalhes mais aparentes.

Andando pelo U que forma a área de exposição do instituto há, no “meio”, quadros que se distanciam em conteúdo dos outros expostos, intitulados “Pasteles de los 3 dias”. Parece que lá, o artista pintou os fantasmas dos personagens. Algo como os negativos das almas. (quadro acima)

No corredor final há os “Dibujos e Textos Inéditos”. Quadros pequenos com excertos de textos de Dom Quixote e suas traduções em imagens, como se tivessem tentando dar forma ao texto em questão.

Uma caixa de fósforos, assim como uma série de cartõezinhos como o tema de Quixote de um lado, e uma edição de Cervantes com a capa feita pelo artista, do outro, encerram a bela exposição. Uma boa tarde livre de férias; uma exposição que valeu a viagem.

Nota: 8,0
Custo: 8,60
– Café e salgados
2,30 – Ônibus ida e volta (estudante)
Exposição vai até 30 de julho

AGENDA DE JULHO! MÊS DE FÉRIAS, MÊS DO ROCK!

Agenda Free de julho!

Parece que a cidade está mesmo comemorando o mês do rock, estão pipocando shows, mostras, filmes e documentários (e uma aula-show com Kid-Vinil no SESC S. André) sobre o gênero e seus principais nomes, contando sobre a história do rock no Brasil e no mundo. Tem até um ciclo chamado ROCK INFANTIL nas Bibliotecas Viriato Corrêa e Roberto Santos para os pequenos com filmes infantis e roqueiros!

Além das várias mostras de cinema sobre este gênero musical que Sampa gosta tanto, tem também mais um monte de opções para os cinéfilos de plantão. No Centro Cultural São Paulo tem a mostra Entre Duas Alemanhas, um Recorte do Documentário Brasileiro Contemporâneo e Vertentes do Cinema Policial Brasileiro, fora o IN-EDIT - Festival Internacional de Documentários Musicais que acontece no Centro Cultural da Juventude e o Ciclo Jean Pierre Jeunet no SESC Santana, entre outros.

Fiquem também de olho na Cia. Pia Fraus de graça no Centro Cultural Fiesp, Faíska no Centro Cultural São Paulo, Blues Etílicos e Ceumar no SESC Osasco, Música do Mundo no SESC Vila Mariana, Férias Circenses no SESC Pinheiros, espetáculos de dança na Galeria Olido e contações de histórias nos SESCs.

Enfim, dêem uma olhada na agenda recheada desse mês! E curtam o mês friozinho com cultura de graça!

Equipe Arte Free.

Colunistas

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Então levantei. Toca mais um café. Pra varanda aproveitar o friozinho, e enfiar a cara no café quentinho saindo da caneca. O cérebro começa a dar voltas, e nem lembrava mais por que estava lá... (clique aqui para ler mais)

Nelson Leirner – Ocupação – Itaú Cultural (23/06/2009)


O Porco já virou presunto


Na avenida paulista em plena hora do almoço, o cenário rotineiro: esbarrões, pressa, ternos. O que salta aos olhos no meio do cenário cinza são os centros culturais, museus e cinemas que dividem espaço com os arranha-céus, escritórios e fast-foods no coração financeiro da metrópole.

Escolhi ir até o Itaú Cultural, onde está em cartaz a primeira exposição da série Ocupação dedicada artistas marcantes da segunda metade do século XX. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra propõe paralelos, relações e leituras diversas da obra de um dos precursores (e por que não mestre?) da arte contemporânea brasileira: Nelson Leirner.

O artista revisita sua própria produção do início da década de 60: o porco, a cadeira no tronco, roupas com zíper. Tudo o que havia chocado e fomentou tanto o debate nas artes plásticas no período em que foram produzidas ao lado de peças novas, desse ano.

O porco dentro de uma jaula que causou tanto espanto nos anos 60, em 2009 é um presunto. A jaula é a mesma, só que ao invés do animal “vivo” está o presunto – processado e embalado. A cadeira que estava no tronco já está coberta de folhas, vivas.

O zíper, outrora fechado, hoje já está aberto e o mistério foi revelado.

Fica claro que a obra de Leirner não se esgotou, ela deu frutos, fez escola e foi determinante para o contemporâneo da arte. O olhar do artista, ainda que voltado a sua própria produção, fala também – com muita ironia – da trajetória da arte contemporânea como um todo, em geral.

Nelson me provocou: será que o que classificamos como contemporâneo já foi tão processado, embalado e formatado, como um presunto? O que está vivo na arte? A vida comeu a cadeira. O sistema digeriu o porco. O mistério por detrás do zíper foi revelado.

De volta à avenida o cenário era o mesmo, mas minha cabeça estava em outro lugar.

Custos: 0 – fui e voltei à pé.
Vai até... 28/06


Por Helô Louzada
Imagem retirada do site: http://f.i.uol.com.br/folha/ilustrada/images/0914712.jpg

Cinema Sonoro 80 anos no Brasil - Sesc Vila Mariana - 12/06/2009

Luz, câmera, som!

Um frio enorme em plena luz do meio dia. Poucas almas se aventuravam a sair na rua nessa sexta-feira de dia dos namorados. Fui ao Sesc Vila Mariana para ver se lá tinha alguma coisa. E tinha. Em um espaço pequeno, o hall de entrada em frente ao elevador, foi montada a exposição Cinema Sonoro 80 anos no Brasil.

O nome já diz bastante sobre a intenção do projeto, que se divide em exposição de objetos (como câmeras antigas, gramofones e etc.), fotos sobre as origens do cinema brasileiro, um texto explicativo sobre a primeira exibição de cinema com som no País e uma sala de exibição de filmes, onde passam, durante todo o dia, quatro curtos filmes a respeito de como o cinema mudo "migrou" para o cinema sonoro.

São dois filmes sobre a origem do cinema sonoro, um do ponto de vista americano e outro do ponto de vista alemão. Há também uma entrevista com Alexandre Fleming, um dos pioneiros no cinema brasileiro, cuja invenção não patenteada seria "inventada" anos mais tarde nos Estados Unidos com o nome de Vitaphone, um sistema de sonorização que viria a modificar a história do cinema.

O último filme mostra uma experiência com uma série de cenas escolhidas de cinema preto-e-branco, que leva o espectador a entender as principais diferenças na evolução do áudio no cinema. As mesmas cenas, dentre as quais Carlitos e a célebre tomada da nave espacial (em forma de bala de revólver) atingindo o olho da lua, são passadas quatro vezes. Da primeira vez, sem áudio (desesperador ver uma cena de guerra sem áudio), depois em mono, stereo e sistema 5.1.

A mostra é bem interessante, especialmente para os iniciados ou apaixonados pela sétima arte. Tem detalhes, experiências, câmeras antigas belíssimas expostas, uma verdadeira relíquia bem escolhida. Mas, para aqueles apenas curiosos, se torna bastante enfadonho. Os filmes, tal como os textos de explicação, são longos e cansativos. Claro que aquele dia frio não deve ser amostra para nada, mas enquanto eu via os filmes, as pessoas que entravam na sala de exibição não ficavam mais de três minutos.

Para quem já sabe, ou quer saber mais, vale a pedida. Se não, vá até a banca de jornais e compre um desses bons filmes que estão vendendo agora, como Casablanca. Quem sabe você também não vira um cinéfilo?

Nota – 7,5

Custos
Nada
Transporte – fui e voltei a pé
Vai até...
dia 28/06.
Terça a sexta, das 9h às 21h30; Sábados e domingos, das 9h às 18h30.